Reserva de Emergência

Se quer investir é porque deve estar conseguindo poupar, então como começar? Fazendo uma reserva de emergência.

Isso mesmo, antes de mais nada é importante estar tranquilo para que as surpresas da vida não atrapalhem os seus planos, os seus investimentos.

Muitos tipos de investimento demandam tempo para que você possa resgatar o que foi aplicado. Pode ser que o momento na economia não seja bom para que você faça isso.

Enfim, precisamos estar tranquilos para que uma despesa não prevista não ocasione em perdas nas nossas aplicações ou nos nossos investimentos.

O período em que você estará fazendo a sua reserva de emergência também ajuda na compreensão do quanto os seus gastos fixos e variáveis oscilam (variam). O que isso quer dizer?

Exemplo

Vamos imaginar o seguinte cenário aonde Alice, que possui um salário de R$ 5.000,00, começa a poupar para a reserva de emergência:

1º mês
Despesas: R$ 3.000,00
Poupou: R$ 2.000,00
Reserva de Emergência: R$ 2.000,00

2º mês
Despesas: R$ 3.500,00
Poupou: R$ 1.500,00
Reserva de Emergência: R$ 3.500

3º mês
Despesas: R$ 3.250,00
Poupou: R$ 1.750,00
Reserva de Emergência: R$ 5.250,00

4º mês
Despesas: R$ 5.500,00
Poupou: (-R$ 500,00)
Reserva de Emergência: R$ 4.750,00

5º mês
Despesas: R$ 3.500,00
Poupou: R$ 1.500,00
Reserva de Emergência: R$ 6.250

Análise

Perceba que no 4º mês as despesas superaram a receita, mas Alice ficou tranquila porque tinha uma reserva de emergência para amortecer as oscilações de despesa.

Se calcularmos uma média do quanto Alice consegue poupar, perceberemos que ela poupa em média R$ 1.250,00/mês (R$ 6.250,00/5 meses) ou 25% do salário (R$ 1.250,00/ R$ 5.000,00).

Nesse ritmo, ela conseguirá em aproximadamente 2 anos (24 meses) acumular um capital de R$ 30.000,00, que equivale a 6 meses de salário de Alice.

Não estamos aplicando nenhum juros na reserva de emergência de Alice para facilitar o entendimento, o importante é a ideia que fundamenta a reserva de emergência.

De quanto deve ser essa reserva de emergência?

Isso depende muito, mas alguns especialistas recomendam o equivalente a 6 meses de salário. No caso de Alice a reserva seria de R$ 30.000,00. Por que tanto?

Por que podem haver imprevistos mais graves, como por exemplo a perda do emprego. Caso ela fique desempregada esse caixa poderá mantê-la por aproximadamente 6 meses.

Mas por que isso depende?

Porque os riscos inerente a sua renda variam muito. Você é um servidor público federal estatutário, um empresário, um servidor público do Rio de Janeiro (não é porque é servidor público que riscos não existam), um profissional contratado CLT, um profissional liberal, um estagiário, tem suporte da família, mora sozinho,…?

O importante é fazer a reserva de emergência e tê-la disponível para uso a qualquer momento (liquidez diária). Se será uma reserva equivalente a 2, 3, 4, 5 ou 6 meses de salário cabe a cada um analisar a sua realidade.

Aonde deixar a reserva de emergência?

Existem várias opções atualmente, o importante é que essa reserva seja de acesso rápido, de preferência que no mesmo dia você tenha acesso ao dinheiro. São algumas opções válidas:

  • Poupança;
  • Tesouro Selic;
  • CDB DI;
  • Fundos DI;
  • Fundos de Renda Fixa de liquidez diária.

A minha preferência é algo que gere pelo menos 100% do CDI com a menor taxa de administração possível, um bom exemplo disso é o fundo BTG Pactual Digital Tesouro Selic que zerou a taxa administrativa. Se não sabe o que é o CDI leia o artigo Indicador Econômico.

Pode ser que o seu banco ofereça um produto similar e compense para você por uma questão de comodidade (não precisar ficar realizando transferência entre contas), o importante é que a taxa administrativa não seja muito alta para esse tipo de fundo, como por exemplo, não mais que 0,3%.

É importante ressaltar que não fazemos recomendações e tampouco recebemos algum incentivo financeiro, os exemplos e apontamentos são apenas por conta da experiência pessoal e daquilo que conhecemos.

E agora?

Agora podemos ver como trabalhar o dinheiro que separamos para investir, clique aqui.


João Paulo Delgado Preti

Doutor pela Escola Politécnica da USP, possui mestrado em Ciência da Computação pela Universidade Federal de Santa Catarina. Atualmente é professor associado do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia de Mato Grosso e presta consultoria em desenvolvimento de software.