A ideia aqui não é dizer como você deve começar, mas sim dizer que:

Não importa como vai começar

Quando eu comecei não foi algo disciplinado. Não tinha estudado sobre o assunto, eu queria era poupar. Veja o artigo Qual é o meu Perfil de Investidor.

Comecei acumulando em um fundo DI do meu próprio banco, nem me preocupava sobre a taxa de administração. Eu queria aplicar com rendimento previsível e que fosse melhor que a poupança.

Na época eu nem sabia o que era um fundo DI, sabia que era um fundo que rendia diariamente e que eu podia sacar a qualquer hora.

Tudo que eu conseguia poupar no mês ia para esse fundo DI e de vez em quando eu fazia algum resgate nele para cobrir alguma despesa.

Não resgatava apenas para despesas não previstas, resgatava até para pagamento de viagem ou troca de carro.

Na época meu pensamento era, sobrou no mês vai para o fundo, se no mês seguinte precisar de algum dinheiro extra, lá eu tenho.

Nesse período eu tive minha primeira sensação boa sobre o ato de poupar, a tranquilidade. Eu estressava menos, era uma pessoa mais tranquila, porque eu sabia que tinha uma reserva financeira.

Relaxando

Poupar é preciso

Então você provavelmente vai receber várias opiniões sobre aonde investir o seu dinheiro e não se preocupe tanto no início. Você precisa conseguir acumular um montante primeiro.

Não importa como você começa. O importante é começar o quanto antes e não parar.

Isso durou 2 anos, só acumulando nesse fundo DI. Quando o bolo cresceu comecei a verificar que existiam outros produtos no banco.

Produtos estes que eu não tinha acesso por conta da aplicação mínima inicial. Tinham produtos que exigiam mínimo de R$ 50.000,00, R$ 100.000,00, … espanto

Hoje nós temos acesso a fundos renomados com valores bem menores do que antigamente.

Eu acabei migrando para outro fundo DI que só era acessível com um valor maior de entrada. Na época minha preocupação era acumular com rendimento previsível e com liquidez diária.

Não me enxergava adquirindo produtos que travariam o dinheiro por vários meses ou anos.

Diversificar também

Quando percebi outros tipos de fundos que eu poderia ter acesso, comecei a me informar e a investigar e acabei separando parte do capital (o mínimo possível para entrar no fundo) para um fundo multimercado.

Esse foi o meu primeiro contato com a renda variável. O fundo multimercado me pareceu fazer mais sentido na época, visto que, é um tipo de fundo que possui uma cesta de ativos mais diversificada.

Isso quer dizer que esse tipo de fundo pode investir em renda fixa, ações, câmbio (dólar, euro, …), commodities (milho, café, boi gordo, petróleo,…) , …, ou seja, mescla aplicações de vários mercados.

De início não me senti muito confortável por conta das oscilações, e por alguns meses o fundo estava perdendo para a renda fixa. O Brasil tinha juros muito mais altos do que hoje, então competir com a renda fixa não era fácil.

Percebi que para esse tipo de investimento é preciso ter paciência, porque podem passar meses, anos, para entrar em um bom ciclo de alta.

Acredito que o ponto principal aqui, pelo menos inicialmente, não é diversificar para apenas diluir o risco. Não é bom deixar todos os ovos na mesma cesta.

Penso que o importante da diversificação para quem está começando é experimentar, conhecer outras opções, trilhar um caminho de conhecimento na área dos investimentos.

Não é incomum encontrar pessoas que não saem da poupança. Por medo claro, mas o medo é fruto do não conhecimento, da ignorância no bom sentido.

Investir é uma questão de confiança e isso só se adquire estudando.

No artigo Tipos de Investimento, você terá uma ideia das opções de investimento mais conhecidas.

Terceirizando o Uso do Dinheiro

Até então sempre estive terceirizando a gestão do dinheiro.

Claro que a escolha do banco/corretora/gestor/… foi minha, mas o uso desse dinheiro, como esse dinheiro de fato foi investido, eu acabei terceirizando.

Quando empresto o dinheiro para o banco (CDB), para o Governo (Tesouro), para alguma empresa (Debênture), ou compro cotas de algum fundo de investimento, na verdade eu estou repassando para outro a decisão de como investir o dinheiro.

Isso é natural, normal e até necessário.

Primeiro porque eu não sou da área econômica e financeira. Essa é a realidade da grande maioria das pessoas, então faz sentido terceirizar para um especialista.

Segundo porque, mesmo que eu fosse um especialista, será que eu também não posso me considerar um risco? Será que não existem outros profissionais da área com uma visão diferente (talvez de sucesso) da minha?

Mas também é natural que conforme você vai adquirindo mais conhecimento e experiência sobre o assunto, você comece a direcionar mais como o seu dinheiro é de fato investido.

Depois de um tempo aplicando em renda fixa e fundos de investimento, decidi estudar mais a fundo sobre renda variável.

Fiz um curso sobre análise técnica (análise de gráficos), apesar de não ficar comprando e vendendo ações, achei muito interessante e acredito que ela pode complementar a análise fundamentalista (análise dos fundamentos do negócio).

O problema que eu encontrei foi a falta de tempo, porque são muitas opções de empresas, fundos, … para analisar e isso demanda tempo. Uma solução que eu encontrei para me ajudar a selecionar o que analisar e até na minha educação financeira foram as casas de análise.

Casas de Análise

Existem diversos profissionais dando dicas e orientando sobre como aplicar o seu dinheiro. Bancos e corretoras fornecem relatórios, criam carteiras de ações e fundos imobiliários, e até mesmo recomendações diárias de compra e venda (day/swing trade).

Mas fica sempre aquela dúvida do quanto a análise de bancos e corretoras são tendenciosas aos seus produtos.

Tem surgido então diversas casas de análise e profissionais independentes com a promessa de uma orientação isenta. Abaixo apresento algumas mais conhecidas no mercado:

Eu acabei experimentando duas casas de análise.

Achei interessante porque você recebe relatórios, descritos de forma amigável e justificando tecnicamente as recomendações.

Além disso, também é bom porque o trabalho que a casa de análise realiza demanda muito tempo. São muitos ativos para ficar acompanhando.

Não deixa de ser uma forma de você já ir se educando, como um treinamento para caso deseje no futuro realizar suas próprias análises.

Então é só seguir essas casas de análise?

De forma alguma, é bom estudar para entender e saber criticar os relatórios. No final das contas a decisão sempre será sua e não se deve seguir cegamente a opinião de ninguém.

Atualmente

Minha carteira hoje está distribuída conforme segue:

Em outros artigos iremos tratar cada item separadamente, o objetivo aqui foi mostrar como eu comecei.

Percebam que isso ocorreu durante anos e que foi uma evolução gradativa da renda fixa para a renda variável.

Essa é a minha trilha, cada um deve fazer e encontrar a sua e espero poder ajudar um pouco com isso. O importante é ter paciência e saber que o tempo é necessário para esse amadurecimento.

Recomendo a leitura de três artigos que vão lhe ajudar a começar:


João Paulo Delgado Preti

Doutor pela Escola Politécnica da USP, possui mestrado em Ciência da Computação pela Universidade Federal de Santa Catarina. Atualmente é professor associado do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia de Mato Grosso e presta consultoria em desenvolvimento de software.